Patrimonio de Castellón
A ermita da Magdalena ocupa o monte do mesmo nome, que se ergue sobre Castelló de la Plana. O ermitério tem origem no século XIII, após a conquista cristã de 1233. A primeira referência documental a uma procissão de penitência que chegou até à ermita do Castell Vell data de 1375, quando a cidade sofria uma epidemia de peste negra. Daquela primitiva ermita nada se conservou, nem sequer o recordo da sua localização exata.
A construção da ermita atual começou em 1451, obra de um frade do Mosteiro de Santes Creus conhecido popularmente como o frare barbut, de nome real Antoni. Aproveitou uma antiga cisterna de grandes proporções escavada na rocha e levantou um edifício estruturado em duas naves paralelas separadas por arcos rudimentares, coberto com abóbada de canhão. O pórtico de entrada, com arco de meio ponto de aduelas regulares, foi acrescentado em 1455, e a capela foi construída em 1456. Entre essa data e 1590 sucederam-se diversas obras de reforma e ampliação: dotou-se o altar-mor de um retábulo de madeira e reedificaram-se as cavalariças para serviço dos peregrinos. A forma definitiva que apresenta hoje o conjunto — ermita-hospedaria com torre adossada que funciona de campanário — foi estabelecida em 1758 por Vicente Pellicer.
Como meta de rogativas e peregrinações durante a Idade Média e em épocas posteriores, o ermitério dispunha de cozinhas, refeitório, cisternas e hospedaria, que o Consell Municipal — proprietário da casa e ermita de Santa Magdalena — reconstruía e reformava periodicamente. Junto à ermita encontram-se os restos do castelo, dos quais se conservam um tramo de muralha e dois muros de calicanto. Juan Bautista Balbás, no seu Libro de la Provincia de Castellón de 1892, documentou o achado nos estratos inferiores do Castell Vell de basamentos de colunas, moedas e sepulcros romanos; escavações posteriores trouxeram à luz tégulas empregadas em enterramentos e fragmentos de cerâmica sigillata.
O conjunto foi declarado Bem de Interesse Cultural em 1996.